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Uso de recursos tecnológicos no ensino de línguas deve crescer no pós-pandemia

Se a tecnologia já era vista como uma aliada na educação e no ensino de idiomas antes da pandemia, durante a crise sanitária ela se tornou imprescindível e, daqui para frente, o seu papel como potencializadora da aprendizagem deve ganhar ainda mais força. Para se ter uma ideia, 82 por cento dos usuários de internet com 16 anos ou mais que frequentam escola ou universidade acompanharam aulas ou atividades remotas durante a pandemia, de acordo com a 3a edição da pesquisa Painel TIC Covid-19, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

‘As tecnologias têm muito a contribuir no ensino de línguas. Diversas ferramentas podem ajudar o professor a propor tarefas relacionadas às habilidades de leitura, escrita, compreensão oral e conversação’, afirma Joyce Fettermann, consultora em ensino de inglês da Troika, em São Paulo.

Luciana Coutinho Daniel Vicente, diretora regional pedagógica do Noroeste Fluminense, da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, vai na mesma linha. ‘O ensino de idiomas pode se tornar muito mais eficiente e inovador com a utilização de sites e aplicativos de conversas instantâneas como apoio ao material didático. Tais recursos, além de atraírem mais os alunos, facilitam o trabalho do professor, sobretudo no desenvolvimento da oralidade’.

‘As novas tecnologias possibilitam acompanhar o que é falado no mundo, por meio de  textos, vídeos e entrevistas, inclusive em tempo real, e as transformações que a língua sofre’, completa Marilda Macedo Souto Franco, supervisora pedagógica e professora de inglês do Centro Interescolar de Línguas de Ceilândia, no Distrito Federal. 

Lucilelia Lemes de Castro Silva Nascimento, professora de língua inglesa e assessora pedagógica do Projeto de Mediação Tecnológica Goiás Tec, da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, observa que o bom uso das ferramentas digitais, possivelmente em um sistema híbrido, vai exigir um novo olhar para o ensino de idiomas.

‘O professor tem que reinventar a aula de inglês para que ela seja uma aula virtual interativa. Isso significa fazer as melhores escolhas de plataformas e aplicativos para engajar o aluno e deixá-lo à vontade para se comunicar, participar, trocar experiências e tirar dúvidas. É um trabalho a ser criado, a ser desenvolvido’, reflete.

Nesse sentido, capacitar os docentes também será  fundamental. ‘Precisaremos reavaliar comportamentos e fazer cursos e formações. E ainda compartilhar experiências, refletir sobre tudo o que vivemos até agora e como levar da melhor forma o ensino de língua inglesa para os alunos sem estarmos na sala de aula presencial’, diz Lucileila.

Para Joyce, a pandemia tem ensinado muito e todas essas dificuldades vivenciadas na educação apontam para um direcionamento em relação à criação de novas políticas públicas que sirvam para facilitar esse processo de ensino e aprendizagem. Entre elas, o acesso à internet de qualidade e a inclusão de pessoas que moram na zona rural e em comunidades menos privilegiadas, para que elas não fiquem de fora do alcance da educação como um todo.

Luciana Vicente acrescenta: ‘A universalização do acesso à internet faz-se ainda mais necessária em tempos de pandemia. Atrelada a ela está a garantia do acesso à informação e ao conhecimento. Proporcionar internet de qualidade para todas as famílias envolve pensar em políticas macro, como a redução da carga tributária para banda larga e telefonia móvel e melhoria na infraestrutura de telecomunicações’.

De acordo com o Painel TIC Covid-19, 36 por cento do entrevistados no estudo tiveram dificuldades para acompanhar as aulas durante a pandemia por falta ou baixa qualidade da conexão à Internet. O telefone celular foi o principal dispositivo usado para acompanhar as aulas e atividades remotas, sobretudo nas classes D e E (54 por cento).