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UK-Brazil Skills for Prosperity no Amapá: formando professores para um ensino inovador

Grupo de quatro estudantes seguram exemplares do material didático Xperience. No centro do grupo, está o o governador Antônio Waldez Góes da Silva. Ao fundo, há um prédio escolar branco, com telhado marrom, e alguns estudantes e professores.

Oferecer um ensino de inglês que atenda ao contexto e realidade regional dos alunos — esse é um dos objetivos do UK-Brazil Skills for Prosperity, programa do governo do Reino Unido em andamento no Brasil. A iniciativa, da qual o Observatório para o Ensino da Língua Inglesa faz parte, tem como intuito democratizar o acesso a um ensino da língua inglesa de qualidade nas escolas públicas brasileiras, considerando o inglês como língua franca (ILF), visando mais oportunidades no mundo do trabalho.

O programa tem duração de 3 anos (2020-2023) e é implementado em cinco estados-piloto: Amapá, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Uma das ações do programa é o desenvolvimento de material didático pela Nova Escola, para uso nacional e também específico para cada estado, seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Além disso, ocorre a formação continuada de professores de inglês por meio de cursos online.

Fanny Costa participa como professora engajadora de inglês da Nova Escola, atuando na formação de professores para o uso do material educacional Xperience Nova Escola, junto a Cainã Perri, especialista pedagógico e coordenador geral das formações em língua inglesa.

A formação de professores está dividida em duas frentes. A primeira é voltada ao aprimoramento da proficiência linguística dos professores, a partir de uma trilha de cursos chamada LIFT- Language Improvement for Teachers (Aprimoramento da Língua para Professores, em português). A trilha é autoinstrucional, está disponível online e é gratuita. “Temos mais de 4.300 cursistas fazendo algum dos cursos da trilha LIFT. É um grande ganho, pois, quando o professor é proficiente, ele traz um contexto significativo e real de uso do idioma, deixando mais tangível o aprendizado do inglês para o aluno”, destaca Perri.

A outra frente é o conhecimento pedagógico do conteúdo com a Xperience Nova Escola. Isso porque, além de saber a língua, o professor precisa saber como ensiná-la e mediar esse processo.

No programa, Fanny dá suporte aos FACIs, que são os facilitadores da formação BNCC in the Classroom – A New Xperience (BNCC na Sala de Aula – Uma Nova Experiência) atuando junto aos docentes que vão formar os professores cursistas da rede estadual (em inglês, Teachers of Teachers – ToTs) .

Diferenciais do material educacional

O material educacional Xperience Nova Escola conta com uma versão para os estados-piloto e uma versão nacional. Foi pensado nas dificuldades e desafios do ensino de inglês na rede pública e desenvolvido por professores de diversos lugares do Brasil. “É interessante ver um material da língua inglesa com uma aula sobre culinária que fale sobre pão de queijo ou tapioca com queijo coalho”, exemplifica Perri, destacando que os livros dialogam com a realidade dos alunos dos estados-piloto.

Após a confecção do material, os professores autores foram convidados a produzir o conteúdo para a plataforma de estudos da formação — local em que FACIs, ToTs e professores cursistas realizam suas atividades. Depois, eles discutem o aprendizado e experiência nos encontros síncronos, realizados uma vez por mês.

Os professores estudam os conteúdos da plataforma durante 3 semanas, com acesso gratuito ao material educacional, que está disponível para uso online ou impressão, em todos os volumes (do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental), além do Caderno do Professor e links para os áudios.

O curso online tem cinco ciclos com quatro módulos de estudo, que trazem teoria, vídeos explicativos e atividades. É uma formação em que há o protagonismo do professor, exigindo envolvimento, dedicação e estudo, com cerca de 3 horas de realização de curso e 2 horas de encontros síncronos semanais.

Segundo Fanny, com essa formação, o professor tem o conhecimento do material educacional, que é composto por temas atuais, globais, respeitando a BNCC e os currículos dos estados. “Traz uma enorme diversidade de modelos de falantes da língua inglesa do mundo todo, demonstrando a importância do inglês como língua franca. O aluno consegue enxergar que a comunicação em inglês é o que importa e não o sotaque ou a exaustão da pronunciação”, destaca a engajadora.

Outro conceito que está no material é o de translanguaging, em que o aluno consegue usar sua língua materna em momentos oportunos, gerando melhor compreensão das propostas das atividades.

A experiência tem sido muito significativa, pois houve uma quebra de paradigmas e percebemos a empolgação dos professores. O livro foi elaborado partindo de uma realidade local para abordagem global, em que todos sentem-se inseridos nesse processo, exatamente como propõe a BNCC (Josefa Pereira da Silva – Pérola, professora de Inglês do Amapá e formadora do Núcleo de Formação Continuada – NUFOC da SEED/AP).

Desafios

Fanny conta que a pandemia e as aulas remotas impostas pelo contexto foram desafios a serem enfrentados no programa. “Tivemos muitos desafios, pois muito do que foi planejado teve que ser feito online e o acesso à internet é complicado para muitos professores. No Amapá, por exemplo, um professor criou o primeiro e-mail dele para participar da formação. Ou seja, temos um abismo entre as realidades no Brasil. Mesmo os formadores, muitas vezes, não tinham internet para fazer a reunião online”, lamenta Perri.

Fanny acrescenta, no entanto, que apesar dos entraves, a experiência foi exitosa. “Os professores que participaram do programa, com a entrega das atividades, participação dos encontros síncronos e aplicação do material, trouxeram depoimentos maravilhosos. Isso nos faz querer replicar o acesso a esse programa futuramente para alcançar mais professores da rede pública”, diz.

Experiência no Amapá

No Amapá, as formações do programa iniciaram em março de 2021 com 105 professores de 33 escolas. No estado, a rede possui duas matrizes curriculares: uma do ano de 2011, que previa o componente de Língua Estrangeira com a Língua Inglesa ou Francesa (por conta da fronteira com a Guiana Francesa). A outra, de dezembro de 2020, atende o que preconiza a BNCC, tendo a língua inglesa como componente curricular obrigatório em todas as escolas.

“Dessa forma, a língua inglesa vem sendo implantada de forma obrigatória gradativamente para que não haja interrupção no percurso formativo dos alunos que vinham cursando a língua francesa e, no ano de 2021, é oferecida em todas as turmas a partir do 6º ano do Ensino Fundamental”, detalha Cleiberton Riullen dos Santos, professor e chefe da Unidade de Orientação Curricular e Supervisão Escolar – SEED/AP.

O treinamento é importante para que haja uma mudança de pensamento daqueles que acham que alunos de uma escola pública não aprendem inglês. O material é moderno, com uma metodologia proativa para o aluno. Espero que sejamos um exemplo a ser seguido pelos demais estados (Cláudia Raquel de Moura, professora de Inglês do Amapá, atualmente lotada no Conselho de Educação do estado).

Engajamento de professores

De acordo com Santos, o processo de inscrição nas formações no Amapá foi bastante satisfatório, mas a participação ainda é um desafio. “Os que participam, no entanto, se empolgam com a metodologia, que é bem atual e dinâmica. Eles ficam torcendo para começar a usar os livros nas escolas. É gratificante ver essa animação”, conta Cláudia Raquel de Moura, professora de Inglês do Amapá, atualmente lotada no Conselho de Educação do estado.

“Os desafios são a internet, que é precária, ou a pobreza de alunos do interior, que não têm, às vezes, nem celular. É muito complicado a logística, porque existem interiores que só se chega de barco, e o material é bem tecnológico. As escolas não têm internet, muitas nem têm quadro branco, pois estão velhos. Isso desmotiva os professores”, complementa Cláudia.

Carla Augusta de Castro, professora de Inglês da rede estadual e ponto focal do Estado do Amapá no Skills for Prosperity, acredita que muitos professores não têm conhecimento de detalhes do programa, como os que trabalham no interior do estado. “Para isso, a SEED está com uma série de ações, que vão desde o lançamento dos livros do Ensino Fundamental até encontros presenciais para compartilhamento das informações”, diz.

Benefícios do programa para professores e estudantes

O UK-Brazil Skills for Prosperity, de acordo com os participantes, tem se revelado de grande importância para o desenvolvimento dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem. “O material educacional é atrativo para o estudante e motivador para o professor. Traz características locais, regionais e internacionais, fazendo com que o aluno possa ter acesso à interculturalidade e seja protagonista do mundo em que vive”, diz Josefa Pereira da Silva, professora de Inglês do Amapá e formadora do Núcleo de Formação Continuada – NUFOC da SEED/AP.

A formação, aponta Santos, quebra paradigmas, visto que a BNCC e o Referencial Curricular Amapaense apresentam habilidades que elevam os objetivos de aprendizagens dos estudantes. “Aproxima ainda professores e alunos do fortalecimento do diálogo com o uso da língua e oportuniza o cidadão ao aperfeiçoamento de um novo idioma. O principal diferencial do material é ser autoinstrucional, fortalecendo a autonomia dos alunos”.

O programa tem sido a realização de um sonho para a maioria dos professores, especialmente para os mais envolvidos, como os professores autores e formadores. É a chance de aprimorarmos nossas habilidades linguísticas e nossa prática em sala de aula (Carla Augusta de Castro, professora de inglês da rede estadual e Ponto Focal do estado do Amapá no programa)

Assista ao vídeo do lançamento do material Xperience no Amapá.

 

Imagem: Vandy Ribeiro / Seed Amapá

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