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Minha experiência: Trabalhando com turmas heterogêneas por meio das metodologias ativas

Sou professor de inglês há 12 anos e sempre busquei usar metodologias ativas porque elas tornam a aula mais dinâmica e interessante.

Uma das estratégias que uso é a sala de aula invertida. Eu passo um material para os alunos se prepararem em casa e, depois, na sala de aula, fazemos uma atividade. Por exemplo, para uma determinada dinâmica, selecionei alguns textos em inglês sobre assuntos da atualidade para debatermos, como o machismo e a cultura do estupro, por exemplo. Formei grupos, cada grupo ficou com um texto, e os alunos iam passando por outros grupos para contar sobre o que leram e também sobre o que ouviram no grupo anterior onde estavam. O intuito era que todos estivessem circulando e compartilhando o debate.

Em uma outra atividade, usei encenação para trabalhar o vocabulário referente a vestuário, que é bem extenso. Pedi para eles formarem duplas e irem até a biblioteca da escola para pesquisar no dicionário visual. Cada dupla pesquisou cinco peças para fazer uma atividade de speaking em sala de aula, em que simulavam que eram comerciantes e vendiam aquelas roupas. Eles criaram um pequeno diálogo para apresentar para a classe. Nessa atividade, às vezes, peço para um terceiro aluno, escolhido aleatoriamente, interagir com a dupla.

Na pandemia, as aulas remotas também permitiram trabalhar com essas práticas. É possível usar diversos recursos digitais, como fóruns para eles interagirem por meio da escrita e jogos online. Uma ferramenta interessante é a ChatClass (https://www.olimpiadadeingles.com), a plataforma oficial da Olimpíada de Inglês, que disponibiliza atividades pelo WhatsApp para treinar a fala, a escrita, a leitura e a compreensão.

Importância e vantagens

Quando o aluno assiste a uma aula expositiva, em geral, nos primeiros cinco ou seis minutos, ele está muito atento. Depois desse período, ele começa a se distrair e desviar o foco. Ao usar uma atividade que envolve metodologias ativas, o estudante se compromete muito mais com o que ele está fazendo, pois ele se sente parte atuante da aula e da sua aprendizagem. Ele também percebe que não precisa ficar memorizando para aprender uma língua, pois isso ocorre de forma dinâmica, como a própria comunicação acontece.

Outro ponto importante é a possibilidade de trabalhar com classes heterogêneas. Na minha turma, por exemplo, cerca de 40% dos alunos têm nível intermediário, uma parte possui nível avançado e também há aqueles que chegam sem nenhuma base. Então, dá para puxar mais de alguns, fazer adaptações para outros e permitir que todos participem. Existe o momento em que tudo mundo fica junto, mas procuro sempre fazer atividades em grupo e em duplas. Uma aula minha são várias aulas acontecendo ao mesmo tempo.

Há também a possibilidade de trabalhar com diferentes habilidades e perfis de aprendizagem. Há alunos que aprendem mais no concreto, outros gostam mais de conversar, outros preferem ler.

Desafios

Um dos principais desafios no uso das metodologias ativas é o próprio professor ter conhecimento sobre elas, saber quais são essas metodologias, como elas funcionam e em quais contextos elas podem ser aplicadas. Eu mesmo fui ter conhecimento desse termo [metodologias ativas] muito recentemente. Minha área de mestrado e doutorado foi literatura, não linguística aplicada para o ensino de inglês. Então, eu sempre usei essas abordagens e práticas, mas eu não conhecia o termo.

Outro desafio é a questão da estrutura física das escolas e a disponibilidade do professor. Para fazer certas atividades, você precisa ter ferramentas e tempo para prepará-las. Eu trabalho em um instituto que é privilegiado, mas sei que essa não é a realidade de muitas escolas no Brasil. Mas, por outro lado, é preciso ter coragem de ousar. Às vezes, a gente não precisa de um recurso mirabolante para fazer uma aula. Com papel e caneta você pode criar uma atividade que utilize metodologias ativas.

Dicas

Eu acho que a motivação pessoal conta muito. O professor tem que ser inconformado com o que ele vê por aí. A partir disso, ele deve procurar se capacitar de alguma forma. Não precisa ser, necessariamente, uma capacitação formal. Ela pode acontecer com os próprios colegas de trabalho, que compartilham experiências. É importante perceber que existem diferentes formas de ensinar inglês.