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Minha experiência: Ensino de inglês para estudantes com deficiências intelectual e auditiva na rede pública

Deficiência intelectual

Dou aula de inglês há 13 anos e, atualmente, leciono em uma escola pública no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES), onde já tive alguns estudantes com necessidades especiais. 

Nos últimos anos, havia uma aluna com deficiência intelectual, sem um diagnóstico específico. Ela tinha dificuldade para falar, não escrevia, mas aprendia no ritmo dela. Dei aula para ela do 7o ao 9o ano do Fundamental. Foi uma experiência muito interessante. 

No início, fiquei me perguntando como iria ensiná-la e o que faria. Mas, com o passar do tempo, fui aprendendo a lidar com a situação. Sempre observando se ela tinha mais facilidade para algumas coisas e se eu poderia preparar algo que pudesse ajudar.

Em um dos momentos, por exemplo, em um trabalho com o nome das frutas em inglês, que eu fazia para os alunos treinarem a pronúncia e memorizarem a escrita, eu percebi que, embora essa aluna tivesse dificuldade na fala, ela tentava repetir as palavras, principalmente as últimas sílabas.

Vi que ela era muito visual e comecei a trabalhar com desenhos, fotos, vídeos e imagens. Ela olhava a figura e a associava com o nome em inglês. Por exemplo, eu mostrava uma maçã, e ela conseguia falar “apple” da maneira dela, dando mais ênfase ao final da palavra. 

Enquanto os outros alunos escreviam no caderno, ela também escrevia do jeito dela e levava o que fazia para eu ver. Eu achava muito bacana essa atitude, pois mostrava como ela tinha esse sentimento de pertencimento ao grupo e queria participar da aula. Eu sempre dava atenção, a elogiava e a incentivava, e ela se mostrava muito contente. A pedagoga da escola dizia que ela tinha essa motivação maior apenas em algumas disciplinas — inglês e ciências.  

A aluna contava com uma cuidadora na sala de aula, mas que a ajudava apenas nas questões práticas, como ir ao banheiro, não realizando uma intermediação ou apoio pedagógico. Não havia um suporte da parte da escola. Foi tudo na cara e na coragem, numa sala de aula com cerca de 30 alunos, usando muito a sensibilidade, procurando me informar por conta própria e trocando ideias com outros colegas.

Em relação à avaliação, há um entendimento da parte da escola que, nesses casos, a socialização tem mais importância do que o aprendizado. Os professores tinham essa preocupação com o aprendizado, mas o foco da escola estava mais na socialização mesmo. Neste caso, os alunos gostavam da aluna, ela gostava deles, e tinham aquela coisa de abraçar, ter contato. Acho que isso ajudou muito também. 

Deficiência auditiva

Também tive experiência com alunos com deficiência auditiva. Em 2019, dei aula para uma estudante do 8o ano. Ela era muito inteligente, conseguia escrever bem e tinha bom desempenho nas avaliações. Mas, por conta dessa questão auditiva, tinha dificuldade na fala e na pronúncia.

Ela tinha uma intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), que a escola disponibilizava. Mas, em algumas situações, quando a intérprete não estava, por exemplo, ela conseguia acompanhar a aula pela leitura labial. Nessas situações, eu precisava sempre falar de frente para ela. Mas, normalmente, a  intérprete traduzia o que eu falava e, quando ela não entendia algo ou tinha dúvida, a intérprete me perguntava. 

Nas avaliações escritas, não havia necessidade de uma prova diferenciada. Quando a avaliação era oral, eu fazia a pergunta em inglês, a intérprete traduzia para Libras e ela respondia em inglês, da maneira como conseguia. 

Há cinco anos, tive outra aluna com deficiência auditiva. Aprendi um pouco de Libras com a própria aluna. E, às vezes, eu queria falar ou explicar algo, e ela, percebendo a minha dificuldade, até me mostrava um caminho ou forma mais fácil.