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Minha experiência: Complexidade da interação com as escolas

Sou psicóloga e atendo 11 crianças com necessidades especiais na Unidade de Saúde Mental de Marataízes, no Espírito Santo. São duas crianças com diagnóstico de dislexia, seis com déficit de aprendizagem, um adolescente com transtorno do espectro autista e duas com dislalia (distúrbio da fala). 

Realizo anamnese com os pais ou responsáveis, analisando o motivo do encaminhamento, laudos de outros médicos e o relatório da escola. Após colher essas informações iniciais, eu inicio a avaliação, por meio de testes psicológicos e materiais lúdicos. Concluída essa etapa, as intervenções começam, de acordo com cada necessidade.

Em geral, é feito o acompanhamento dos conteúdos escolares e, em muitos momentos, é necessário fazer as lições da escola com a criança, no próprio ambiente terapêutico. Também acontece de eu propor que a criança refaça alguns testes e provas para trabalhar a questão da segurança. 

Algumas vezes, é preciso rever com a criança o conteúdo estudado na escola. Nesses casos, procuro identificar se há alguma questão psicológica interferindo na aquisição do conhecimento, como ansiedade, insegurança e falta de motivação para o estudo. Como atendo crianças mais novas, nem sempre vem demanda de língua inglesa, em geral é português, pois ainda estão mais voltadas à alfabetização.

Há ainda o trabalho com atividades terapêuticas, pois essas crianças são muito sensíveis e muitas vezes têm dificuldades em lidar com as emoções. 

No caso dos adolescentes com autismo, o trabalho é mais focado nas habilidades sociais e nas dificuldades que encontram na socialização, de acordo com as situações de vida que vão surgindo. 

A interação com as escolas é bem complexa. Tem escola que é bem parceira, mas outras, nem tanto. Como o número de atendimentos é grande nessa unidade em que trabalho, infelizmente, na maioria das vezes, o contato com a escola se restringe a relatórios, laudos e pareceres. Nem sempre há propriamente um diálogo. Acabo acompanhando a evolução das crianças por meio das atividades, notas e devolutivas dos pais. Somente em alguns casos cheguei a fazer contato telefônico com professoras ou pedagogas.