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Minha experiência: Biblioteca como espaço de debate e troca de informações

Como gestora da biblioteca do Cefet-RJ, que atende tanto alunos da graduação como os de ensino médio técnico, procuro sempre entender as necessidades dos estudantes e trazer os melhores recursos para que eles possam desenvolver as suas atividades pedagógicas. 

Dentro dessa ideia de a biblioteca ser um instrumento de apoio a esses alunos, comecei a trabalhar com a perspectiva decolonial, até meio sem me dar conta de que estava fazendo isso. 

Em 2018, em parceria com a área de português, passamos a desenvolver projetos de extensão, que incluíam a leitura e o debate de textos de temáticas contemporâneas com os estudantes do ensino médio — inicialmente temas ligados a carreiras e mercado de trabalho e, depois, outras questões que dialogavam com a realidade dos alunos.

Conforme o projeto foi avançando, fomos entendendo que ele tinha essa abordagem decolonial, uma vez que saía da visão mais tradicional e limitada de biblioteca, como um espaço elitista e colonial, onde se guarda livros, e a colocava como um ambiente de discussão e de troca de ideias, que procura falar de igual para igual com os alunos. Também trazíamos temática e textos de autores que os estudantes normalmente não leriam, como autoras e autores indígenas e africanos.

Em 2020, devido à pandemia, transferimos os encontros que fazíamos presencialmente para a internet, por meio do Instagram da biblioteca e passamos a ter convidados para discutir os temas. Incluímos escritores negros, indígenas, LGBT. Foram mais de 20 lives, em que falamos sobre ciência, fake news, mulheres, política, racismo, masculinidade, cotas e saúde mental, entre outros assuntos. 

Esse novo espaço de diálogo transformou a biblioteca em um lugar de fomento à informação, mas uma informação viva, que permeia o nosso dia a dia. Também possibilitou que os alunos interagissem com pessoas com outros conhecimentos. E, ao ser virtual, permitiu que mais estudantes, familiares dos alunos e até mesmo pessoas de fora do Cefet pudessem participar. E muitos se manifestavam depois, dizendo que tinham gostado. Isso ficava claro pela própria duração das lives — previstas para uma hora, sempre extrapolavam o horário com as perguntas dos participantes. Ou seja, o projeto ganhou amplitude e começou a ramificar — saiu do nosso espaço comum da biblioteca e dos alunos e alcançou outras partes que a gente nem tinha calculado.

Eu não tinha vivenciado esse tipo de experiência durante a minha formação e nem quando era estudante. Tivemos que aprender fazendo e também saindo da nossa zona de conforto. É um projeto de aprendizado contínuo e junto com todos. 

Depois de um tempo em que eu já estava imersa no processo, comecei a estudar sobre a questão decolonial. Fiz um curso online (As Pensadoras) e passei a me aprofundar no tema. Acabei levando esses conhecimentos não apenas para a minha atuação na biblioteca, mas também para o doutorado que faço, em Ciência da Informação.